Março Amarelo: Mês de conscientização sobre endometriose

O mês de março, conhecido como “março amarelo”, chama a atenção para um problema que atinge 15% das mulheres em todo o mundo: a endometriose. Há diversas teorias a respeito do surgimento da doença e a dor no período menstrual é um dos principais sintomas.

            A endometriose é uma doença na qual o endométrio cresce fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga. O desenvolvimento da doença ainda não é esclarecido, porém, acredita-se que o sangue da menstruação migra no sentido oposto e “cai” nos ovários ou na cavidade abdominal, causando lesões endometrióticas.

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Conhecida como “doença da mulher moderna”, ela tem sido mais comum nos últimos tempos, já que atualmente a mulher menstrua mais vezes, pois retarda a maternidade e tem menos filhos. De acordo com a ginecologista Simone Giroldi “hoje a mulher tem em média 400 menstruações, enquanto no início do século XX, a mulher menstruava cerca de 40 vezes. O estresse e a ansiedade também estão relacionados à incidência da doença”.

Os sintomas mais comuns são dismenorréia (cólica), infertilidade, dispareunia (dor para ter relação sexual), dor pélvica crônica (dor abaixo da região umbilical, no período menstrual ou fora dele, por pelo menos 6 meses).

Com o objetivo de aliviar a dor das pacientes, os principais tratamentos são o uso de medicamentos e a intervenção cirúrgica. Em geral, a cirurgia é realizada de duas formas, ambas minimamente invasivas: a videolaparoscopia ou a cirurgia robótica. Dra. Simone destaca também a interrupção do ciclo menstrual como forma de tratamento, que deve ser realizado com o acompanhamento de um médico especialista, capaz de identificar a melhor maneira para cada pessoa.

 “É importante compreender que não existe cura permanente para a endometriose”, reforça a ginecologista. O objetivo do tratamento é diminuir a dor e amenizar os outros sintomas, como favorecer a possibilidade de gravidez e diminuir as lesões endometrióticas.

Endometriose dificulta a gravidez natural

A endometriose atinge cerca de 6 milhões de brasileiras e a maioria só descobre quando tenta engravidar e não consegue. “Aproximadamente um terço das mulheres com endometriose têm dificuldade para engravidar, no entanto, a doença não torna impossível o desenvolvimento de uma gestação”, explica Simone.

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Quando o tecido endometrial que reveste o útero internamente se espalha pela cavidade abdominal, ele pode causar aderências em diversos tecidos e órgãos, comprometendo seu funcionamento. Além disso, a endometriose faz com que o número de óvulos seja menor e menos eficiente, o que justifica a dificuldade de engravidar naturalmente em mulheres que apresentam a doença. A doença tende a piorar através do tempo, por isso “é preciso deixar um alerta para que não se postergue a gestação”.

Exercício físico: auxiliar na prevenção e tratamento

Há diversas pesquisas que comprovam o efetivo da prática de exercício físico. Em um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que envolveu 4.062 mulheres, demonstrou que as mulheres que diziam ser ativas desde jovens tinham menos tendência para desenvolver esta doença.

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A prática regular de exercício físico aeróbico faz com que o corpo liberte endorfinas com efeito vasodilatador e analgésico que afastam o stress, responsável por agravar os sintomas da endometriose, e ainda ajuda a reduzir os níveis de estrogênio – hormônio feminino, que serve de combustível para o endométrio se desenvolver, e portanto, desacelera o crescimento do tecido ‘intruso’.

 

Fontes utilzadas pela Dra. Simone:

PASSOS, Eduardo Pandolfi. et al. Videolaparoscopia. In: FREITAS, Fernando. (autor) et al. Rotinas em Ginecologia. Porto Alegre: Artmed, 2011, pp. 302-322.

SOUZA, Carlos Augusto B. et al. Endometriose. In: FREITAS, Fernando. (autor) et al. Rotinas em Ginecologia. Porto Alegre: Artmed, 2011, pp. 144-158.

Bricou A, Batt RE, Chapron C. Peritoneal fluid flow influences anatomical distribution of endometriotic lesions: why Sampson seems to be right. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2008; 138(2):127-34

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